Portus Cale

Junho 27, 2009

DESSERT E ARTE EFÉMERA

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 12:33 pm

Decorações de mesa em finais do séc. XVIII

(Cristina Neiva Correia – Conservadora da Colecção de Cerâmica do Palácio Nacional da Ajuda)

Ver, a propósito, o filme „Vatel“ com Gérard Depardieu

Dessert significa doce de sobremesa; objecto no centro da mesa – Dezerta ou Dizer em português e Ramilhete em espanhol; tabuleiros com seus pertences.

Os banquetes de Versalhes influenciam todas as cortes europeias pela sua sumptuosidade e “modernidade”.

A mesa e a sala eram decoradas como um palco, como um teatro.

Dessert e Arte Efmera - Microsoft Word

Fonte: http://coilhouse.net/wp-content/uploads/6.jpg

Os banquetes eram compostos por várias cobertas (geralmente até sete), que eram servidas em actos sucessivos.

A última coberta, muitas vezes servida numa sala à parte como no Palácio de Queluz, é chamada de Doce em Portugal e de Fruit no resto da Europa.

A família real portuguesa encomendou, a este propósito, uma baixela a Thomas Germain que tinha, originalmente, um Surtout tão exageradamente grande (necessitava de 40 homens para ser montado), que foi recusado pelo embaixador Sousa Coutinho. O embaixador exigiu, em seu lugar um Plateaux mais baixo para que as pessoas se pudessem ver umas às outras e conversar de um lado para o outro da mesa. Por esta razão, a baixela Germain não tem centro de mesa.

Os Surtouts (em português Sobretodo ou Sobretudo), mantinham-se na mesa do início ao fim do banquete.

No último quartel do século XVIII foram feitos seis banquetes públicos em Portugal com o topo de todo o tipo de artistas (cenógrafos, mestres de sala/copeiros, pintores, escultores, …).

As mesas eram simétricas e com uma grande variedade de pratos de vários tamanhos e feitios.

Dessert e Arte Efmera - Microsoft Word2

Os pratos eram dispostos na mesa de acordo com o seu tamanho sendo que, os mais pequenos, os chamados pratos rolantes, ficavam mais perto das pessoas.

Os banquetes eram verdadeiros acontecimentos gastronómicos porque se usavam especiarias e métodos que não eram usados quotidianamente!

Surgem, nesta época, os grandes aparadores e as mesas são todas decoradas com prata.

Em Portugal, em vez de grandes aparadores, temos móveis louceiros, para expor as pratas, em sinal de riqueza, uma vez que a prata, para além de ser cara, quando ficava fora de moda, podia ser fundida e transformada noutra peça ou até mesmo como moeda de troca.

Uma das poucas pessoas que mandou retratar os seus banquetes foi a Madame Pompadour, em Portugal não temos desse tipo de retratos.

Aparecem os grandes Desserts arquitectónicos espanhóis, templos montados em tabuleiros, feitos em pedras duras.

Fernand Nuñez, o embaixador espanhol que tratou do casamento de D. João VI com D. Carlota Joaquina, tinha um dos mais fantásticos Desserts.

Quando não havia materiais nobres, faziam-se os Desserts com uma pasta feita de:

  • Açúcar
  • Goma adragante
  • Corantes naturais

Para divulgar este tipo de decoração, aparecem livros (de Guiliet, de Menon, …), que circulam por toda a Europa, com imagens das coisas que se podiam fazer. Alguns desses livros vieram para Portugal mas ainda não foram encontrados porque, provavelmente, quando a Família Real portuguesa fugiu para o Brasil, levou uma grande parte da biblioteca consigo e, a maior parte desses livros nunca foi trazida de volta logo, é possível que esses livros estejam no Brasil.

Plateaux & Dormants

Dormants são peças que ficam do inicio ao fim do banquete e até mesmo depois deste ter terminado. Fica na mesa ou numa sala à parte, a sala do Dessert, como no Palácio de Queluz.

A decoração é colocada no meio da mesa mas estas peças começam a tornar-se tão grandes que passam a ser feitas por peças, tipo puzzle, para encaixar umas nas outras.

Nestes centros de mesa começam a ser utilizadas, em substituição da prata, as figurinhas de Meissen, principalmente figuras mitológicas e de troça/crítica.

A este propósito, conta a estória (não é erro ortográfico!!!), que Augusto, o forte (eleitor da Saxónia) foi ao alfaiate, que lhe fez uma casaca tão maravilhosa que Augusto que disse que pedisse qualquer coisa. Então, o alfaiate disse-lhe que o seu maior sonho era estar na mesa do rei. Assim, no dia do banquete, Augusto, apresentou uma figura do alfaiate montado numa cabra (figura extremamente ultrajante para um alemão).

Em Portugal usavam-se umas figuras de chineses que representavam a Real Barraca.

Os banquetes duravam entre quatro a cinco horas e havia gente a assistir em pé, só para poder ver o rei comer.

Copa/ Copeiro/ Officier

Era o copeiro quem decidia o tipo de mesa, a sua disposição, a sua decoração, …

Tem que dominar diversas artes:ttttt

  • Branquear o sal
  • Fazer os licores
  • Trabalhar o açúcar
  • Fazer pastas
  • Fazer maçapão[1]
  • Pintar
  • Moldar pão
  • Dobrar guardanapos
  • Fazer flores artificiais (sendo que cada flor tem o seu significado)
Fonte: http://thepauperskitchen.blogspot.com/2008/12/love-food-love-france-love-vatel.html

Dormants com jardins

Estes Dormants têm formas de buxos, formas de jardins franceses, com grinaldas, pequenos canteiros de açúcar colorido (sablés) e espelhos para fingir a água. Pelo meio, distribuem-se figuras e, para cá dos canteiros, há os pratos rolantes com petiscos.

Uma boa mesa era símbolo de grande poder, sobretudo monetário.

Em Portugal, a última coberta, era sempre de doces conventuais

Fruit/ Fruto/ Doce

Eram feitos, nestes banquetes:

  • Frutos de maçapão com recheios inesperados
  • Frutos cristalizados com açúcar, desidratados ou conservados com álcool
  • Pastas de frutos (marmeladas)

Havia placas de madeira para gravar desenhos na marmelada e na manteiga.

Os frutos eram dispostos em pirâmide e, às vezes, eram feitas pirâmides e frutos em faiança (parecido à faiança do Bordalo Pinheiro).

Dessert e Arte Efmera - Microsoft Word3

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7ap%C3%A3o

‘Pertences’

António Rodrigues Vilar era administrador das peças de banquete de D. Maria I.

Havia:

  • Moldes para fazer recortes de vidro
  • Pratos de montar que encaixavam uns nos outros para fazer as pirâmides
  • Tabuleiros do Dessert

Os banquetes portugueses eram, geralmente feitos junto à fronteira (Elvas, Vila Viçosa, …), por causa das trocas de princesas e das movimentações das cortes entre Espanha e Portugal.

Estes pertences não pertenciam à coroa, pertenciam aos copeiros e eram alugados de uns para os outros.

Figuras de Dessert

  • “A vendedora de cupidos”
  • Figuras mitológicas
  • Figuras naturais
  • Figuras de crianças
  • Os quatro elementos
  • As quatro estações

As figuras de açúcar dão lugar às figuras de porcelana de Meissen.

Gelados, Sorbets e Queijos gelados

Todos os gelados e sorbets tinham a forma de frutos, eram feitos através de moldes e depois pintados.

Os queijos eram feitos de gelado e depois cobertos com caramelo.

Nos banquetes deste tempo, primava-se sempre e em tudo pela surpresa.

Havia formas de estanho para:

  • Gelados
  • Pudins
  • Charlotes
  • Chocolates

Outras notas

O duque de Aveiro tinha muitas peças muito contemporâneas com o resto da Europa.

As laranjas de Portugal (Setúbal), eram exportadas e tinham direito a receitas próprias.

A pirâmide é a forma principal, juntamente com as pequenas figurinhas

Havia drageias (bolinhas coloridas com sementes no meio) e biscoitos.

O açúcar, depois de moldado, deveria ser seco em estufas mas, em Portugal, estranhamente, era seco ao sol.


[1] Maçapão é um doce de origem árabe, preparado a partir de uma pasta feita de amêndoas moídas, açúcar e claras de ovos, que pode ser moldada em praticamente qualquer formato. Também podem ser adicionadas essências. Conhecido no ocidente a partir do século 13, aproximadamente, o maçapão é servido geralmente com a forma de bolinhas ou figurinhas, pintadas com anilina ou na sua cor natural, e ainda com cobertura de glacé ou de chocolate.

Junho 10, 2009

UMA SALA UM MECENAS – A SALA DAS SENHORAS DO CORPO DIPLOMÁTICO

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 8:37 pm

Dra. Isabel Silveira Godinho (Directora do PNA)

O Palácio Nacional da Ajuda é palco de cerimónias de estado e banquetes.

1988 foi criado o primeiro itinerário do Palácio da Ajuda

A Sala das Senhoras do Corpo Diplomático era, anteriormente chamada de Sala dos Gobelins por aí se encontrarem três tapeçarias de Gobelin que faziam parte de um conjunto de quatro tapeçarias representando “Os costumes turcos”.

1996 – início do projecto “Uma sala, um mecenas”, pela Mobil, aquando do primeiro centenário da empresa. Foi restaurada a sala do retrato da Rainha (Rainha D. Maria Pia de Sabóia).

Nesta sala, nas paredes laterais, encontram-se pinturas dos palácios de Hohenzollern e de Sigmaringen, os palácios favoritos da rainha.

Há ainda, na sala do retrato da rainha, um conjunto de cadeiras e canapés (mobiliário de assento), chamado Mobília da Nau, que teria sido transportada na Nau de D. João VI e ter sido a única a regressar do Brasil, no topo das costas de cada cadeira, há pinturas, provavelmente de Pillement, representando vários portos europeus. No entanto, não se vêem características de mobiliário de nau, como estruturas para o prender ao chão.

A seda das paredes tem sempre 52 cm de largura e, olhando com atenção para as paredes, pode ver-se o ritmo das costuras.

A partir do restauro desta primeira sala, qual foi o critério para o restauro das salas seguintes?

Manter-se fiel ao período de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia, que foi o período de maior vivência do Palácio.

1802 – Início da construção do Palácio da Ajuda

D. João VI dava instruções do Brasil para a construção do Palácio da Ajuda

1881 – D. Luís I mudou-se para o Palácio

1882 – Casou-se com D. Maria Pia de Sabóia e começaram as obras de decoração

1968 – Reabertura do Palácio ao público

Restauro:

Fundação do Millenium BCP

Sala onde as Mulheres dos Diplomatas esperavam para serem recebidas na sala do trono

Todas as janelas do Palácio estão protegidas com uma película anti-UV

Uma das maiores dificuldades foi tentar fazer as sedas das paredes.

Todos os têxteis vêm de uma fábrica de Lyon

Materiais: seda; 400m de madeira de casquinha dourada para os remates; folhagem a ouro; reposteiros em veludo (cor beringela) como os originais e passamanaria manufacturada em Portugal.

Tapeçarias totalmente restauradas em Lisboa. Só foram expostas três como durante a monarquia. A quarta está guardada.

Cada tapeçaria representa cerca de seis meses de trabalho!

Retratos de D. Pedro V e de D. Estefânia que também foram lavadas e restauradas.

Há duas épocas de mobiliário de assento:

  • Do século XVIII – Forrado com Gobelins representando cenas das fábulas de La Fontaine
  • Do século XIX – Forrado com motivos florais

Tapete do chão é um tapete d’Aubusson que foi lavado e recuperado.

O restauro de uma sala faz-se sempre de cima para baixo!

A obra artística tem duas vertentes: a plástica e a ideológica

As pinturas do tecto foram fixadas com uma cola 100% natural

Tecto reparado com a técnica de Regatino[i]. Esta técnica confere vibração e movimento à pintura.

É uma técnica de repinto usada também nos primitivos italianos.

Em 1828, D. Miguel regressa do exílio no Brasil e, por isso, estão representados no tecto uma medalha com a efígie de D. Miguel, a Virtude Invencível, o Amor à Pátria e um génio com um livro aberto onde está um louvor em latim ao golpe de D. Miguel entre 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 (a Vila-Francada).

Por todo o palácio tentaram esconder-se os vestígios da estadia de D. Miguel mas ainda se podem ver alguns!

26 de Março de 1985 – inauguração da sala do trono aquando da visita da rainha de Inglaterra.

O conjunto das quatro tapeçarias dos “Costumes Turcos” é único na Europa.

Parquet – Para limpar o parquet, faz-se uma quadrícula, como a das escavações arqueológicas e depois limpa-se com palha d’aço muito fininha e, como se tinha colocado muita cera em anos anteriores para encerar o chão, tiveram que ficar dois anos sem encerar para que a cera absorvida pela madeira fosse libertada.

Lustre – O lustre é todo desmontado e cada fila é desenhada para depois ser mais fácil de montar. O lustre da sala das Senhoras do Corpo Diplomático, depois de desmontado, ocupava ¼ da sala.

Janelas viradas a sul (para o rio Tejo)

Iluminação museológica, as luzes só acendem quando entramos na sala

 


[i] Regatino ou ponteado: Técnica italiana, de efeito moderado empregado em diversos tipos de restauração de capas pictóricas. Trata-se de zonas produzidas com pontos justapostos, de tal modo, que formam um conjunto que pode ser perfeitamente localizado quando vistos de  perto, ficando invisivel a distancias de leitura do quadro. às vezes foi usada a palavra “pontilismo” para referir-se a esta técnica, em virtude da sua semelhança com o efeito produzido pela modalidade de arte que emprega pequenos pontos para realizar una figuração.

O EXOTISMO NAS TAPEÇARIAS FRANCESAS DO SÉC. XVIII: OS COSTUMES TURCOS

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 8:35 pm

(Manuela Santana – conservadora da colecção de têxteis)

No Palácio Nacional da Ajuda existem quatro painéis representando os Costumes Turcos:

a)      Dança nos jardins do Serralho

b)      Os trabalhos nos aposentos da Sultana

c)       Toilette da Sultana

d)      O almoço da Sultana

Esta série foi produzida na Real Manufactura dos Gobelins[1], fundada em 1762 por ordem do ministro do rei Luís XIV, Colbert.

Esta série de tapeçarias foi feita entre 1780 e 1782 e foi colocada no Palácio Nacional da Ajuda no século XIX (pelo menos, até então, não há notícia destas tapeçarias).

Estas tapeçarias estão na Sala das Senhoras do Corpo Diplomático e terão sido aqui colocadas por ocasião das remodelações para o casamento de D. Carlos com D. Maria Pia, em 1886 ou em 1903 para a visita do rei Eduardo VII.

As tapeçarias estiveram em voga até ao final do século XVIII, depois, foram guardadas e redescobertas no século XIX já como antiguidades sem qualquer uso.

Até ao final do século XVIII as tapeçarias tinham como função cobrir paredes e até mesmo portas, como decoração sazonal (do Outono até à Primavera), como aquecimento, usados principalmente pela aristocracia.

Eram também usados como decoração efémera dos espaços de festa. Por exemplo, o percurso que Luís XIV fez até à igreja no dia da sua coroação, estava todo decorado com tapeçarias.

Os Gobelins passam também a ser produzidos para os palácios reais e para oferecer como presente. O rei deu, ainda, autorização para se realizarem, nos tempos livres, encomendas privadas e foi nesse sentido que foram produzidos os Costumes Turcos, que estão datados e assinados pelo pintor e pelo tapeceiro.

Havia dois grandes ateliers:

a)      Audran

b)      Cozette

Para fazer as tapeçarias eram feitos cartões através de pinturas, em guache, aguarela, carvão, …

Francisco Goya enviava os seus cartões para o rei e  aguardava a aprovação real para depois serem tecidos.

 

“A Dança” é a única composição na Europa deste género, uma vez que já não há nem cartões nem placas de cerâmica.

As cercaduras eram pintadas por um “pintor do rei para flores”.

Neste caso, as cercaduras imitam molduras de talha dourada porque, nas tapeçarias, se tentava reproduzir, o mais fielmente possível, uma pintura.

Os modelos foram tecidos em quatro séries oficiais, sendo a do Palácio da Ajuda, a única completa. Não se produziram mais, provavelmente por serem vésperas da Revolução Francesa.

Há, no século XVIII, um grande fascínio pelo exótico, representado em várias expressões artísticas: Cartas Persas, tradução das 1001 noites (1704), Mozart, Montesquieu, …

Os pintores da corte eram enviados para as Nações do Levante para retratar os seus costumes.

Surgem depois as “Mascaradas” como em “A caravana do Sultão” em que o pintor é retratado como Sultana Rainha e os retratos à turca, com turbantes e trajes orientais.

Uma das primeiras séries exóticas foi “A história do imperador da China”, da qual faz parte “O chá da imperatriz”.

Série das Antigas Índias, série das Novas Índias, série Os Continentes (tão famosa que se fizeram duas séries!).

Outras peças:

a)      A Madame de Pompadour mascarada de sultana, sendo servida de uma chávena de café por uma negra (pintado por Carle Van Loo)

b)      A Toilette de Ester – completo irrealismo da tapeçaria: ambientes europeus apenas com alguns elementos orientais

Temáticas principais:

a)      Trabalhos de agulha

b)      Chá

c)       Café

d)      Dança

e)      Música

f)       Fumo

g)      (…)

 

Jean-Baptiste Pierre propôs como pintor Amedée Van Loo ao irmão de Madame de Pompadour (director da manufactura).

Amedée Van Loo fez apenas quatro das cinco tapeçarias previstas inicialmente e o primeiro foi a “Toilette da Sultana” em que:

a)      O dossel é europeu

b)      Os coxins e o tapete são europeus

c)       Exótico: eunucos e escrava negra

d)      Refere a importância da toilette na corte otomana

  

Toilette da Sultana

Toilete da Sultana

Toilete da Sultana

Autores: Loo, Amédée Van (1719-1795); Audran, Jean (activo entre 1771 e 1794); Tessier, Louis (1729-1781)

Datação: 1782 d.C.

Dimensões: altura 383 cm, largura 405 cm

Descrição: A Sultana – protagonista da cena – sentada em coxins sob um imponente dossel, aponta para uma peça de tecido que uma serviçal parece ter retirado de uma arca. Ao seu colo tem um pequeno cão. Outras quatro mulheres completam o quadro: duas estão aparentemente ocupadas a fixar um véu ao penteado da Sultana, as outras duas apresentam à sua ama um espelho e um cofre. Este quadro intimista surge num cenário marcado por elementos arquitectónicos de grande escala e em estilo europeu. O enquadramento, o desenho dos objectos decorativos, as fisionomias, o cão e os detalhes da indumentária constituem exemplos do irrealismo destas composições. Nestas cruzam-se elementos orientalizantes com estilos da Europa setecentista. A cercadura, cujo modelo foi pintado por Louis Tessier em 1777, sugere uma moldura em talha dourada. Na orla de cor castanha escura estão inscritas a marca do tapeceiro e o ano da tecelagem. A assinatura e a data do modelo podem ver-se na arca à direita da composição. 

Os “Trabalhos nos aposentos da sultana” são o segundo item do projecto (1774):

a)       Odaliscas divertindo-se em trabalhos agradáveis (bordados)

b)       Exótico: papagaio, turbantes, miúdo negro

Trabalhos nos aposentos da Sultana

Trabalhos nos aposentos da Sultana

Trabalhos nos aposentos da Sultana

Autores: Loo, Amédée Van (1719-1795); Cozette, Pierre-François (activo entre 1749 e o ano IV); Tessier, Louis (1729-1781)

Datação: 1780 d.C. 

Dimensões: altura 378 cm; largura 417cm

Descrição: Caminhando pela sala, a Sultana orienta o trabalho de cinco mulheres: quatro delas bordam sentadas num sofá e a quinta está sentada no chão dobando os fios. Com as figuras à direita do quadro – um homem, um rapaz e um papagaio – o pintor procura dar um “toque oriental“ à cena. O pintor reproduz, na verdade, a atmosfera das cortes europeias da época. É notório o irrealismo dos enquadramentos, do tapete, das fisionomias e indumentária das mulheres ou a fantasia com que Van Loo evoca o quotidiano do Serralho. Nesta tela o pintor recria uma actividade que, embora muito marcante na cultura otomana, constituía também uma das ocupações das mulheres europeias de elevado estatuto social. A cercadura, cujo modelo foi pintado por Louis Tessier em 1777, sugere uma moldura em talha dourada. A orla é castanha escura. A tapeçaria apresenta duas marcas: na base do poleiro, a assinatura do pintor e a data do modelo, na orla inferior direita, a marca do mestre tapeceiro e a data da tecelagem.

“O Almoço da Sultana”:

a)      Sultana fumando cachimbo rodeada por serviçais, acomodada em almofadas, num jardim, servida por escravos negros

Beber chá e café era muito sofisticado – uma taça de café era quase um acessório de moda

O Almoço da Sultana

O almoço da Sultana

O almoço da Sultana

Autores: Loo, Amédée Van (1719-1795); Audran, Jean (activo entre 1771 e 1794); Tessier, Louis (1729-1781)

Datação: 1782 d.C.

Dimensões: altura 388 cm; largura 503 cm

Descrição: A tapeçaria representa a protagonista – a Sultana – fumando cachimbo, rodeada pelas favoritas e pelos serviçais. A Sultana está acomodada sobre almofadas nos degraus de um jardim, à sombra de uma árvore frondosa. Os degraus estão revestidos por um tapete de design europeu, onde estão sentadas quatro mulheres. Uma escrava negra apresenta à Sultana uma bandeja com um bule e uma chávena de chá. Do lado contrário, em primeiro plano, um escravo negro segura outra bandeja com uma cafeteira, um homem e uma criança exibem cestas de frutos. Como pano de fundo da composição um jardim, balaustradas, uma fonte e, em último plano, um palácio. Particularmente rica em detalhes, esta tapeçaria regista alguns hábitos que eram sinónimo de sofisticação entre a aristocracia do Velho Continente. Em elegantes peças de ourivesaria europeia são servidos à Sultana chá e café, na época bebidas luxuosas e exóticas. Acentuando o carácter exótico da composição, as bebidas são servidas por escravos negros. Como assinala Perrin Stein (p. 427), este tipo de representação é ao mesmo tempo exótico e familiar. Tomar café era uma actividade social em voga e uma chávena de café constituía um acessório de moda com o qual se faziam retratar as damas das cortes europeias.

“Dança nos Jardins do Serralho”:

a)      A festa galante, obrigatória nas séries

b)      Sultana, sultão, dossel com grinaldas de flores muito europeu

c)       Dançarina e músicos

d)      Elementos masculinos e instrumentos musicais são as únicas influências turcas

Dança nos Jardins do Serralho

 

Dança nos jardins do Serralho

Dança nos jardins do Serralho

Autores: Loo, Amédée Van (1719-1795); Audran, Jean (activo entre 1771 e 1794); Tessier, Louis (1729-1781)

Datação: 1780 d.C.

Dimensões: altura 381 cm; largura 500 cm

Descrição: Neste modelo para tapeçaria Vanloo ilustrou uma “fête galante“ nos jardins do Serralho. Segundo Perrin Stein (p. 329), o pintor seguiu a moda lançada por Jean-Antoine Watteau (1684-1721), que impunha as actividades ao ar livre nas séries ditas “exóticas“. A tapeçaria representa um espectáculo de música e de dança ao qual assistem a sultana e o sultão, sentados em coxins altos. Estão instalados num estrado com degraus, sob um sumptuoso dossel ornado com passamanaria e grinaldas de flores. Diante dos dois protagonistas uma mulher, enfeitada com grinaldas idênticas, dança e toca pandeireta. Sentadas nos degraus, outras mulheres contemplam a exibição. Num plano mais recuado, junto a uma balaustrada, encontram-se os músicos e outros assistentes. Nesta, como nas outras composições do conjunto, não existe uma verdadeira preocupação de realismo. Elementos arquitectónicos ou decorativos otomanos surgem apenas de forma episódica. Apesar de alguns detalhes – caso de algum do traje masculino ou dos instrumentos musicais de origem oriental – prevalece o protótipo francês, presente não só nos enquadramentos como no tipo de figuração das personagens. A cercadura, cujo modelo foi pintado por Louis Tessier em 1777, sugere uma moldura em talha dourada. A orla é castanha escura. A assinatura e a data do modelo podem ver-se no canto direito da composição. No canto oposto, a vermelho, a marca do mestre tapeceiro e a data da tecelagem.

A corte portuguesa aderia às modas europeias, no entanto, em Portugal, o gosto pelo exótico europeu co-existia com o gosto exótico nacional pelo nosso contacto directo com os outros povos.

Em 1790, os inventários do real tesouro, apresentavam 85 séries (sendo que cada série tinha várias peças), das quais, 27 tinham temática pseudo-oriental.

 Havia também o gosto pelo 100% exótico com objectos das “Índias”, que vinham para Portugal em virtude dos contactos com outros povos.

Até William Beckford escreveu, no seu diário, surpreendido pela profusão de elementos orientais em muito maior proporção que em outros países europeus.

D. Maria I tinha um grupo de anões negros protegidos dos quais, D. Roza, era a mais importante.

Os “costumes turcos” terão chegado a Portugal por ocasião do casamento de D. João VI e D. Carlota Joaquina. Para essa ocasião vieram nove expedições de França, uma delas só com tapeçarias porque, em Portugal, não havia muitas peças de tapeçaria.

A boda foi no Palácio de Vila Viçosa (1785), que estava decorado com “panos de Ráz”, ou seja, tapeçarias de Arras, em França.

As tapeçarias estiveram também no Palácio das Necessidades.

Em 1910 foram retirados o trono e o baldaquino e, o Almoço da Sultana tapava as marcas do baldaquino.

Em 1985, o palácio foi preparado para receber a rainhade Inglaterra e recolocou-se o trono. A tapeçaria, depois de restaurada, foi colocada na reserva do palácio.


[1] Gobelins – Os Gobelins eram uma família, originária de Reims, de tintureiros especializados na tinturaria do vermelho escarlate que, em meados do século XV se estabelece em Faubourg Saint Marcel, nas margens do rio Bièvre, num moinho que fica conhecido como o moinho dos Gobelins.

Em 1662, o rei Luís XIV compra o edifício da família Gobelin e, em 1667, tornaram-se, dirigidos pelo pintor Charles Le Brun e com a supervisão de Jean-Baptiste Colbert, a sede da Manifacture Royale des Meubles de la Couronne, que produzia objectos e tapeçarias de luxo para a nobreza. Devido a problemas económicos, a manufactura é encerrada em 1694 para reabrir em 1699 com o objectivo de produzir tapeçarias para uso real, produção que se interrompe com a Revolução Francesa.

Os Bourbons reabriram os laboratórios durante a restauração e, em 1826, é anexado um laboratório para a produção de tapetes. Em 1825 os teares horizontais são transferidos para Beauvais e a produção continua apenas nos teares verticais. Em 1871 o edifício foi parcialmente destruído por um incêndio e, depois, reconstruído em 1914. Em 1949 regressaram os teares da manufactura de Beauvais, destruids pelos bombardeamentos. De propriedade do Mobilier national, a manufactura alberga hoje um museu e laboratórios onde se continuam a produzir tapeçarias para a decoração de edifícios públicos.

“A Igreja nos seus primórdios – o início do Cristianismo”

Filed under: Conferências da Sé — Sara Sardinha @ 8:02 pm

O inicio do cristianismo pode ser dividido nos seguintes períodos:

a)      Período Apostólico – Enquanto os Apóstolos estão vivos

b)      Período pós-Apostólico – séc.: II/III

c)       Séculos IV a VI

 

Período Apostólico

Antecedentes da Igreja católica – judaísmo

A vida orante de Israel estava concentrada em Jerusalém e nas sinagogas

Só o templo de Jerusalém tinha altar, onde eram feitos os sacrifícios, uma vez que, a sinagoga, era para escutar a palavra mas não se ofereciam sacrifícios.

O Sábado era dia santificado para os judeus, todo o bom hebreu era chamado a viver o descanso e a alegria de Deus, além disso, fazia com que a comunidade se sentisse irmanada.

O Domingo perdeu o sentido para os europeus.

A festa faz com que as pessoas voltem às suas origens porque é uma paragem no ciclo consumidor do tempo.

O hebreu não tinha que ir à sinagoga, só tinha que santificar o dia, rezando duas vezes por dia:

a)      No período da tarde (Arvit). Porque, para os hebreus, a tarde é o início/abertura de um novo dia.

b)      No período da manhã (holocausto da manhã) (Shacharit). Para celebrar o nascer cósmico do sol.

Numa primeira fase, os apóstolos, ainda frequentavam o templo e proferiam o Shemá[1] de Israel três vezes por dia, em que Deus fala ao seu povo – povo de Deus é povo que escuta o seu senhor e cumpre a sua palavra , o que o leva à prosperidade.

Jesus também ensina o Pai-Nosso que devia ser também rezado três vezes ao dia mas, desta feita, é o povo que fala a Deus “Pai Nosso que estais no céu…”.

No cristianismo não há corte com o judaísmo, eram sim tidos como grupo cismático[2] do judaísmo.

 

Período Apostólico (séc. II – IV)

Neste período, começam a autonomizar-se e têm uma identidade própria.

O Domingo passa a ser visto e comemorado como dia da ressurreição, ou seja, Páscoa.

S. Paulo fazia assembleias: na primeira parte pregava e na segunda, celebrava a eucaristia. A eucaristia está também ligada às formas orantes de Israel.

Rezam-se os salmos (Antigo Testamento).

A eucaristia está ligada às formas orantes de Israel.

Nos Actos dos Apóstolos está descrita a primeira perseguição, que foi feita pelos Judeus em Jerusalém, e é assim que Judeus e Cristãos se dividem. São chamados “Cristãos”pela primeira vez em Antioquia[3].

Cada apóstolo fundava comunidades pelos sítios por onde passavam, ficavam por lá alguns anos, escolhiam um “chefe” e partiam para outros locais.

A partir do século II, as igrejas da antiguidade, são decisivas na difusão do cristianismo.

As igrejas da antiguidade principais eram:

a)      Jerusalém (fundada por S. Tiago)

b)      Antioquia

c)       Alexandria

d)      Roma

e)      Constantinopla[4]

f)       Santiago de Compostela (também de fundação apostólica)

No ano 150, surge o papel de leitor devido à liturgia bem como os papéis de diácono, …, pelos dons e serviços que se começavam a distribuir e estruturar.

Os apóstolos ficam confinados à evangelização.

S. João foi o último apóstolo. Ele faz referência a Roma, cidade na qual morreu S. Pedro.

Em Roma há a teoria do gnosticismo que reduz o cristianismo a uma mera corrente filosófica. É uma visão negativa da matéria que faz de Jesus um ente divino, desprovido de humanidade e coloca-o quase como uma teoria questionando “como é que um Deus pode chegar à humilhação da condição humana?”.

É então que, através da reflexão sobre o mistério de Deus, que nasce a teologia.

Inicialmente, limitava-se a um entabulamento com os gregos e os romanos, povos com conhecimento, porque o cristianismo, inicialmente era só para escravos e pessoas destinadas a trabalhos braçais.

S. Justino era filósofo de profissão em Roma.

Até ao século VI, a dicotomia cultura clássica/cristianismo vem trazer um novo desafio à Igreja católica, obriga a Igreja a repensar-se e, também nessa época, dá-se o aparecimento de novas heresias ligadas primeiro à compreensão de Jesus (séc. III), depois à relação de Jesus no seio da Santíssima Trindade e, finalmente, nos séculos IV e V, ao Espírito Santo. Basta, para isso, verificar que ainda hoje, quando se canta a “Glória” (hino do século II que teria sido cantado pelos anjos no nascimento de Jesus), quase não se dá importância ao Espírito Santo.

Durante o Renascimento, com Descartes, por exemplo, o homem é divido em duas partes: A parte boa, consistindo na alma/espírito; e a parte má sendo o corpo (é daí que vêm os castigos corporais!).

A Igreja vive perseguida e não é aceite no Império Romano e se, no início, os cristãos eram perseguidos sem razão, começam agora a aparecer justificações jurídicas para as perseguições dos cristãos. Eles iam contra a lei porque não prestavam veneração ao imperador que, para os romanos, era o representante dos deuses na terra; e não colocavam incenso no altar como oferenda aos deuses.

Até à paz de Constantino, houve dez grandes perseguições aos cristãos. Não era público poder ser-se cristão e, além disso, não tinham templo. Eram acusados de serem “uma cambada porque não têm Deus, são ateus”, além disso, não tinham templo, nem altar, nem sacrifícios como nas religiões antigas (politeístas).

Para os cristãos, o templo, era uma realidade espiritual. Para eles, fiéis são os que entram em Cristo pelo baptismo e cada pessoa é uma pedra no templo espiritual de Cristo e do Cristianismo. O altar é o coração de cada um e, durante a eucaristia, reúnem-se à volta de uma mesa, como Jesus na última ceia. Não fazem sacrifícios cruentos porque, para eles, a eucaristia é o sacrifício.

Devido a todas as perseguições e ao pouco conhecimento que havia da religião cristã, os apóstolos e cristãos escreviam ao imperador e às pessoas cultas as chamadas apologias, cartas em que se explicava em que consistiam o cristianismo e os cristãos.

Tertuliano[5] escreve que “sangue dos mártires, sementes de cristãos”.

Também nesta época, os cristãos são martirizados nos circos e coliseus.

Lei do Arcano – lei tácita (secreta) à qual obedeciam todos os cristãos – “Nada do que temos de mais sagrado o revelamos sem mais”.

O baptismo só era sacramentado após três anos de iniciação e só depois podiam assistir à missa e participar da eucaristia.

A eucaristia era uma coisa sagrada e, por isso, era decorada e não escrita para não cair nas mãos erradas.

No séc. II a celebração da Páscoa divide, uma vez mais, a Igreja.

A Páscoa era celebrada todos os domingos mas começou a ser celebrada solenemente uma vez por ano e nesta época que aparecem duas celebrações.

a)      A dos Quatrodecímanos (14), que faziam parte da Igreja do Oriente e celebravam a Páscoa no dia 14 do calendário lunar (que tem só 28 dias), no mesmo dia que os hebreu, no mês de Nisan[6], correspondente a meados de Março/Abril, o que nem sempre calhava a um domingo e, assim, perdia-se o sentido do domingo;

b)      A de Roma que celebrava no primeiro domingo de Março.

Para os Orientais, Páscoa, significava paixão, sofrimento e morte, para os Ocidentais, por sua vez, queria dizer passagem da morte à vida, do pecado à graça – ressurreição.

O problema é que cada uma das posições se fundamenta na sagrada escritura.

O Papa Vítor I[7] decretou a Páscoa ao domingo no entanto, Santo Ireneu, bispo em Lyon, interveio porque tinha vivido a juventude no Oriente e conhecia ambas as tradições, logo, escreve ao Papa para que deixasse ficar as coisas como estavam.

Esta questão resolve-se em 325, no Concílio de Niceia, concílio ecuménico, ou seja, presidido pelo Papa, fica decidido que a Páscoa se celebra ao domingo e é, então, criada a regra para datar a Páscoa: primeiro domingo depois da primeira lua cheia depois do equinócio da primavera. A partir de então, quem faz a datação é o patriarcado de Alexandria.

(25 de Abril – baptismo de Santo Agostinho)

Catecumenato era o tempo de preparação para o baptismo. A admissão [ao catecumenato] era muito filtradora e, as pessoas, tinham que reunir certas condições: Não podiam ser soldados porque os soldados romanos eram obrigados a venerar o imperador, não podiam ser actores de teatro nem mestres de escola por causa da representação de idolatria, não podiam ser donos de casas de prostitutas, fazer cultos, …, ou então, podiam abandonar todas essas coisas.

O catecumenato era dividido em:

a)      Formação na história da salvação;

b)      Iniciação à vida cristã;

c)       Iniciação à eucaristia.

Inicialmente o baptismo era feito na noite de Páscoa após os três anos de catecumenato e, em casos excepcionais, saltava-se essa parte, como era o caso de pessoas em perigo de vida. Os mártires, ainda que não fossem baptizados, eram considerados baptizados mesmo depois da morte, os chamados baptismos de sangue. As crianças eram também baptizadas.

Depois, o baptismo foi alargado para o dia de Pentecostes e para a Epifania.

Começa a edificar-se uma liturgia organizada e aparecem os Libelli, criações litúrgicas de bispos e padres que dão origem aos sacramentários.

 

Séculos IV a VI

Em 313, Constantino[8] dá a paz à Igreja e começa a construção de templos o que leva a uma maior adesão ao cristianismo.

Neste período dá-se um boom cristão.

Este é também o período áureo da liturgia, que deixa de ser secreta e passa a ser escrita.

Em 321, o domingo, é declarado feriado em todo o Império Romano.

Para o templo cristão é adoptada a estrutura da basílica romana que, originalmente, era utilizada como local de justiça.

Começam a ser decoradas com mosaicos com a figuração do Cristo pantocrator[9] sentado com as escrituras.

Primeiramente era apenas chamado de templo mas, como era no templo que se reunia a Igreja[10], ou seja, os baptizados, o povo de Deus, o edifício passa também a chamar-se igreja.

Surgem os primeiros ritos litúrgicos e famílias litúrgicas divididos em ritos orientais (Kopta, Bizantino, Alexandrino, …) e ritos ocidentais (Romano, Ambrosiano, Bracarense, Galicano, Moçárabe, Cartuxos e Anglicano).

No século IV a Igreja afirma-se e passa a ter uma relação diferente com o império, passa a ser uma organização que se pode relacionar com o Império Romano, que já está a ceder aos bárbaros (o Império Romano do Ocidente cai em 476 d.C. depois de mais de um século de ataques exteriores).

A Igreja depara-se agora com uma nova heresia, a heresia ariana que reconhecia Cristo mas dizia que a sua humanidade era aparente e não real.

Começam as divergências entre arianos e cristãos, que são apaziguadas por Santo Ambrósio[11] de Milão, eleito bispo por acaso [vd nota rodapé 11], nem sequer era baptizado, andava no catecumenato. Tinha como propósito salvaguardar a autonomia da Igreja face ao império e salvaguardar também a cultura clássica.

 

Em 476 d.C. dá-se a queda do Império Romano do Ocidente e desaparece a estrutura organizativa dando origem ao aparecimento das ordens religiosas.

É um período desnorteado em que o Bispo é um ponto de referência até para a administração da justiça e fazem-se audiências episcopais.

Na Idade Média, os conventos, em conjunto com as universidades, eram pólos de cultura.

 


[1] Shemá de Israel – Escuta ó Israel, Ad-nai nosso D-us é Um. (Em voz baixa diz-se) Bendito é o Eterno e que seja bendito para sempre. (Ve’Ahavta) Amarás o Eterno, Teu D-us, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Estas coisas que eu te ordeno no dia de hoje estarão sobre o teu coração. As ensinarás diligentemente aos teus filhos e falarás delas quando estejas sentado em tua casa e quando andes no caminho, ao deitar e ao levantar. As atarás por sinal sobre a tua mão e serão filactérias [tefilin] entre os teus olhos. E as escreverás sobre os marcos [mezuzá] da tua casa e sobre os seus portões. [Devarim (Deuteronómio) 6:4-9] (Veaia im Shamoa) E sucederá que se obedecerem aos mandamentos que Eu lhes ordeno hoje, de amar ao Eterno, Seu D-us, e de servi-Lo com todo o teu coração e toda a tua alma, então eu darei à tua terra a chuva no seu momento próprio, as chuvas prematuras e as tardias, para que recolham o grão, o mosto e o azeite. Eu darei erva a teus campos para o teu gado, e comerão e se saciarão. Cuidem, não seja que se deixe seduzir vosso coração e se apartem e sirvam a deuses estranhos e se prostrem ante eles. Então se acenderá a ira do Eterno contra vós; Ele reterá os céus para que não haja chuvas e a terra não produza o seu fruto. E serão exterminados rapidamente da boa terra que o Eterno lhes entrega. Ponham estas Minhas palavras nos vossos corações e nas vossas almas; atem-nas por sinal em vossas mãos e sejam tefilin entre os teus olhos. As ensinarás aos teus filhos, para falar delas quando estejas sentado em tua casa e quando andes no caminho, ao deitar e ao levantar. As escreverás sobre os marcos da tua casa e sobre os teus portões, a fim de que se multipliquem os dias dos teus filhos sobre a terra que o Eterno jurou entregar a teus antepassados, como os dias do céu sobre a terra. [Devarim (Deuteronómio) 11:13-21] (Vaiomer Ad-nai) O Eterno falou a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e diz-lhes que façam franjas nos cantos de suas roupas ao longo das suas gerações. E ponham sobre a franja um cordão de cor azul. E serão tzitzit para vós, para que o vejam e se lembrem de todos os mandamentos do Eterno e os cumpram e não explorem atrás dos vossos pensamentos nem detrás dos vossos olhos, nos quais vocês se corrompem. A fim que recordem e cumpram todos os Meus mandamentos e sejam santos para o vosso D-us. Eu Sou o Eterno, vosso D-us, que vos saquei da terra do Egipto para ser o vosso D-us. Eu Sou o Eterno, vosso D-us. [Bamidbar (Números) 15:37-41]

 [2] Cisma – Um cisma é uma separação de uma pessoa ou grupo de pessoas do seio de uma organização ou movimento, geralmente religioso. O termo costuma referir-se a uma divisão que acontece no âmbito de um corpo religioso com organização e hierarquia definidas.

 [3] Antioquia – Presentemente é uma cidade localizada no Sul do território turco, na província de Hatay, nas margens do rio Orontes. Foi edificada por Seleuco Nicátor cerca do ano 300 a. C., tendo sido durante o domínio de Roma capital do Império Seleucida e da província da Síria, atingindo o seu esplendor máximo durante a vigência de Antíoco, o Grande, e com os primeiros imperadores romanos. O número de habitantes da urbe nesse tempo, cerca de 500 mil, era superado no Oriente somente por Alexandria. Foi, de igual modo, um importante centro de difusão do cristianismo, com o seu bispo a ostentar o título de patriarca, e um significativo centro de expansão missionária. Os Persas destruíram a cidade em 538 mas ainda no mesmo século o imperador Justiniano promove a sua reconstrução.

 [4]  Constantinopla – Capital do Império Bizantino de 330 a 1453. Antiga Bizâncio, depois da sua tomada pelos Turcos em 1453 passou a denominar-se Istambul.

 [5] Tertuliano – Quintus Septimus Tertullianus foi um autor latino dos séculos II-III d. C., do norte de África, do tempo de Marco Aurélio. Um dos primeiros escritores cristãos relevantes, foi teólogo e gramático. A sua obra, longamente influente, é considerada um dos elementos formadores da cultura cristã de expressão latina.

 [6] Nisã ou Nisan ou Nissan (antes chamado de Abibe ou Abib) é o primeiro mês do calendário judaico, e corresponde a março-abril do calendário gregoriano. Foi no 14º dia desse mês que Jesus comemorou a Páscoa judaica com os seus discípulos (Levítico 23:5-15, Êxodo 9:31 e 13:4) e em seguida instituiu a celebração de sua morte em prol da humanidade pecadora. Para determinar o catorze de nisã é preciso ter noção de alguns conceitos astronómicos.

 [7] Vítor I – foi o décimo-quarto papa da igreja apostólica cristã entre (datas aproximadas) 189 e 199. Vítor nasceu na província romana de Tunísia; esta noticia è bastante certa, pois na Catedral Católica de Tunes, à esquerda do altar, tem um mosaico com o rosto dele. De seu pai sabe-se somente que se chamava Félix. Vítor I estabeleceu que qualquer tipo de água, quer seja de um rio, mar ou outras fontes, pode ser utilizada no baptismo, no caso de faltar água benta. Outra contribuição importante foi o estabelecimento do domingo (em substituição do sábado) como dia sagrado, em memória da ressurreição de Jesus Cristo. Foi Vítor I quem determinou que a Páscoa seria celebrada sempre neste dia da semana, excomungando todos os bispos que se opuseram à mudança. O Concílio de Niceia (325) confirmou sua decisão. É também sua a decisão de realizar as missas em Latim em vez de Grego. Pensa-se que Vítor tenha sido martirizado durante o reinado de Septímio Severo.

[8]  Constantino I – o Grande, nasceu provavelmente em 274 na região de Naisso, Mésia Superior. Foi imperador romano entre os anos de 306 e 337, ano da sua morte. À morte de seu pai em Iorque em 306, Constantino é aclamado pelos seus soldados César e depois Augusto. Em 312, fica com o domínio do Ocidente ao vencer Maxêncio, perto de Roma. Com a morte de Galério em 311, Constantino inicia o governo conjunto do Oriente com Licínio, que suporta até 324, altura em que o derrota na batalha de Crisópolis, mandando-o matar em Tessalonica. Com a publicação do édito (ou carta) de Milão no ano de 313, estabeleceu a tolerância de culto, iniciada anteriormente por Galieno e Galério, e no concílio de Niceia de 325 condena os donatistas e estabelece condutas de fé e disciplina, favorecendo deste modo o progredir do cristianismo como religião dominante do império, situação que sai reforçada com a consagração à Virgem Maria em 330 da capital do império de Constantinopla. A nível do governo-geral foi um hábil estratego, conferindo ao poder imperial um cunho pessoal, introduzindo na administração pessoas da sua confiança. Tornou a aristocracia senatorial numa classe territorial, que se hierarquizava mediante os serviços prestados ao Estado. Empreendeu também reformas ao nível militar, separando os encargos do exército dos civis e retirando protagonismo aos contingentes fronteiriços.

 [9] Pantocrator (Παντοκράτωρ) – é uma palavra de origem grega que significa etimologicamente “todo-poderoso” ou “omnipotente”. Também possui variante com acento gráfico no segundo “a”: pantocrátor. Encontra-se várias vezes no Novo Testamento em grego. Provém de pan (tudo ou todo) e krátos (alto, em cima e, daí, governo, poder). Geralmente o seu uso encontra referência no ícone bizantino “pantocrator”, que representa Cristo, tendo sua mão direita inclinada, em posição de bênção — com o polegar voltado para si, os dedos médio e apontador em posição oblíqua, quase vertical, e os demais dedos dobrados em direcção à palma da mão (fechados). Esta posição da mão direita indica sua dupla natureza – a divina e a humana – indicada nos dois dedos erguidos e sua participação na Trindade como segunda Pessoa indicada pelos três dedos unidos nas pontas. Na mão esquerda, as Sagradas Escrituras.

 [10]  Igreja – No evangelho segundo S. Mateus, capítulo 18, versículos 15 a 17, encontramos as seguintes palavras de Jesus: “Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.”, na qual a Igreja se refere ao grupo de cristãos a que pertençam tais irmãos. A palavra Igreja aparece no Novo Testamento pela 1ª vez no livro de Mateus (C.16, V.18), quando Jesus Cristo afirma que edificaria sua Igreja e que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre ela: “V.18 Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

 [11] Santo Ambrósio – Nascido em Trier, na Alemanha, no ano de 340 e falecido em Milão a 4 de Abril de 397, provinha de uma antiga família convertida ao Cristianismo, Santo Ambrósio era filho de Ambrósio, prefeito do pretório das Gálias, que dominava os actuais territórios da França, Grã-Bretanha e Espanha, juntamente com Tingitana, em África, e que era uma das quatro maiores prefeituras do Império Romano e o mais alto cargo que algum súbdito poderia ter. Era o mais novo dos seus irmãos, Marcelina, que veio a ser monja, e de Satírio, que se demitiu da prefeitura para viver com Santo Ambrósio, quando este foi nomeado para o episcopado. Após a morte do pai, a família mudou-se para Roma, onde Santo Ambrósio estudou, assistido pela sua irmã Marcelina, religiosa e dez anos mais velha, tendo feito progressos tanto nos seus conhecimentos seculares como nas suas virtudes de piedade. Da irmã, Santo Ambrósio adquiriu o respeito e devoção pela virgindade, traço que marcou a sua vida eclesiástica. Os seus conhecimentos da língua e da literatura gregas foram complementados pelo estudo e pela prática do Direito, tendo-se Santo Ambrósio rapidamente distinguido pela sua eloquência e a habilidade com que defendia as suas causas na corte de Anicius Probus, o prefeito do pretório da Itália, que mais tarde lhe conseguiu, junto do Imperador Valentiniano, a nomeação de cônsul governador da província da Ligúria-Emília, com residência em Milão. O prefeito despediu-se de Santo Ambrósio com as proféticas palavras “Vai, e tem uma conduta não de juiz, mas de bispo”. O seu trabalho nesta província granjeou-lhe uma grande estima por parte dos seus súbditos, numa espécie de preparação de uma grande mudança que se viria operar na sua vida, tanto que toda a província e sobretudo a cidade de Milão estava num estado de caos religioso, provocado, sobretudo, pelas intrigas da facção ariana. A morte do bispo ariano Auxêncio, em 374, encerrou um período de tirania e violenta perseguição dos cristãos da tradição. Os bispos da província, temendo os tumultos previstos por uma consequente substituição, pediram ao imperador um substituto de Auxêncio nomeado por édito imperial. O imperador recusou, alegando que a eleição se deveria processar da forma habitual e recomendou a Santo Ambrósio que mantivesse a ordem na cidade durante este período tão delicado. Na basílica onde estava reunido o clero e o povo, Santo Ambrósio fez um discurso, em tom conciliatório, que apelava à paz e à moderação, de uma extraordinária eloquência. Interrompido pela voz de uma criança que gritou “Ambrósio, bispo”, toda a assembleia repetiu estas palavras. Para seu grande espanto, foi ali mesmo aclamado bispo. Apesar de qualquer intervenção divina, Santo Ambrósio era o único candidato possível, dado agradar a cristãos pela sua crença no Credo de Niceia e aos arianos pela sua aversão às controvérsias teológicas. Apesar da sua relutância em aceitar, pela sua falta de preparação para o cargo, a sua nomeação foi confirmada pelo imperador Valentiniano. O santo acabou por aceitar e recebeu o baptismo das mãos de um bispo cristão, em 7 de Dezembro de 374, seguindo-se a ordenação e a consagração episcopal.
Uma da suas primeiras iniciativas foi despojar-se de todos os seus bens terrenos que deu aos pobres e à Igreja, depois de prover ao sustento da sua irmã. A dedicação do seu irmão Satírio em lhe tratar dos assuntos temporais deixou-lhe mais tempo para se dedicar aos seus deveres espirituais. Dedicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e a sua fama como expositor eloquente da doutrina católica correu o mundo inteiro. O seu poder de oratória valeu-lhe imensos elogios e a conversão do experimentado retórico Santo Agostinho que dizia que “Ele é um daqueles que fala a verdade e fala-a bem, judiciosamente, com precisão, beleza e poder de expressão”. Como bispo da corte imperial desenvolveu uma grande actividade política, conseguindo, nos primeiros anos de Valentiniano II, evitar que fosse reerguida no Senado, a estátua da deusa Vitória; protestou, em 388, contra a exigência que o imperador Teodósio queria fazer ao bispo de Calinico de reconstruir a sinagoga destruída por monges daquele lugar e impôs grave penitência ao mesmo imperador por ter mandado massacrar a população de Tessalonica devido a uma revolta que teve lugar em 390. Os seus discursos de Domingo atraiam multidões à Basílica e um dos seus assuntos favoritos, a importância da virgindade, foi tão bem defendido junto das jovens que as mães as proibiam de ouvir os sermões de Santo Ambrósio. O santo teve mesmo de se defender da acusação de estar a depauperar o império de habitantes dada a grande dificuldade dos jovens em encontrar mulheres para casar. Santo Ambrósio defendia que o aumento da população era directamente proporcional ao valor dado à virgindade. Era tão estimado pelo seu povo e tão universalmente popular e bem sucedido que a herética imperatriz Justina não tivera coragem de o mandar assassinar ou exilar por medo da reacção da multidão. Santo Ambrósio pregou contra o arianismo, opondo-se à imperatriz Justina quando esta assumiu a sua preferência por esta doutrina após a morte do imperador.
Quase todas as obras de Santo Ambrósio são de índole eminentemente prática e têm origem nos sermões que pregou, caracterizando-se geralmente por um tom edificante ou de catequese e evitando pretensões filosóficas ou especulativas. Teve ainda o mérito de difundir no Ocidente as doutrinas dos padres gregos, em particular Orígines, Basílio, Dídimo e Atanásio, e de expor com muita clareza o dogma cristão de Éfeso e Caledónia. As suas obras dogmáticas, De fide, De Spiritu Sancto, De incarnationis dominice sacramento são muito simples. Destacam-se os seus escritos sobre a Virgem e a Eucaristia, pois é um dos primeiros padres a dar a Maria um lugar fundamental na moral e na espiritualidade cristãs, considerando-A na sua De institutione virginis como figura da Igreja e segunda Eva, um modelo de virtudes. Foi pioneiro na formulação da doutrina de transubstanciação, em De misteriis, embora sem empregar a palavra. Santo Ambrósio teve ainda muita importância na concretização dos deveres cristãos e dos ensinamentos morais, fixando a norma do agir com mais clareza sem comparação com nenhum outro até São Tomás, com o tratado De oficiis ministrorum. Os seus escritos sobre a virgindade, De virginibus ad Marcellinam, De verginitate, e Exhortatio virginitatis foram muito influentes no Ocidente. As obras de Santo Ambrósio são preciosas para o conhecimento do culto cristão e da prática sacramental, assim como para o conhecimento dos costumes cristãos da época. O desgosto marcou os últimos anos de vida de Santo Ambrósio quando, em 393, Valentiniano II foi assassinado na Gália quando o bispo de Milão se lhe juntava para o baptizar. O usurpador Eugénio proclamou a sua decisão de restaurar o paganismo romano, mas fê-lo por pouco tempo já que imperador Teodósio derrotou o tirano em 391, tendo depois vindo a morrer em 395. Quando Santo Ambrósio ficou gravemente doente, em 397, o Conde Stilicho com medo que a sua morte implicasse a destruição do império, enviou-lhe uma embaixada implorando-lhe que rezasse a Deus para prolongar os seus dias. Após a sua morte, ocorrida numa Sexta-feira Santa, Santo Ambrósio foi enterrado na Basílica ao lado dos santos mártires Gervásio e Protásio.

Junho 7, 2009

Tesouros escondidos de Lisboa

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 11:41 am

 

Ficam aqui alguns links MUITO interessantes sobre os tesouros escondidos da cidade de Lisboa.
Estas são reportagens do Canal de História e, entretanto, se encontrarem mais alguma coisa, agradeço que avisem! :)

LISBOA DEBAIXO DE TERRA (Canal História)

  • As Galerias Romanas da Rua da Prata
http://www.youtube.com/watch?v=Ivs6km260Kk
  • A Se de Lisboa

http://www.youtube.com/watch?v=quO0qXC8EFI&feature=related

  • O Aqueduto das Aguas Livres

http://www.youtube.com/watch?v=fr2Et9XIvkI&feature=related

  • Bairro Estrela D’Ouro

http://www.youtube.com/watch?v=vbOW0meYjv4&feature=related

  • O Teatro Romano

http://www.youtube.com/watch?v=KgRO3C6lxkA&feature=related

  • Reservatorio da Patriarcal

http://www.youtube.com/watch?v=l_INtKF8d1g&feature=related

  • Convento de Corpus Christi

http://www.youtube.com/watch?v=QMKvo0ZqGVQ&feature=related

  • Nucleo Arqueologico da Rua dos Correeiros

http://www.youtube.com/watch?v=9XGps3kHVfE&feature=related

  • Padrao do Chao Salgado

http://www.youtube.com/watch?v=poyiROJFmM8&feature=related

  • A Muralha Fernandina

http://www.youtube.com/watch?v=9MCUTjKaFxw&feature=related

  • Os Moinhos de Vento

http://www.youtube.com/watch?v=PtDw4vK-qkI&feature=related

  • Palácio Foz

http://www.youtube.com/watch?v=XYAnpvL7lzU

D. Carlos de Bragança – Juventude e educação no Paço da Ajuda

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 11:37 am

de acordo com a visita temática no Palácio da Ajuda de dia 22 de Junho (adaptado)

D. Carlos viveu no Palácio da Ajuda até 1886
No dia 06 de Outubro D. Luís I e D. Maria Pia casam-se na Igreja de São Domingos em Lisboa e esta aliança, entre Portugal e a Itália foi extremamente apoiada pela ala esquerda liberal
Seis meses depois do casamento, a gravidez da rainha é anunciada
Cf.: Marquês de Fronteira e Alorna
No dia 28 de Setembro de 1863, às 13:30, nasce na sala verde do palácio o príncipe real Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gota. Assistem ao parto apenas Magalhães Coutinho (médico), a Marquesa de Vila Real (futura aia) e a parteira já que na altura, os partos eram um acto público no entanto, a D. Maria Pia, não deixou que se assistisse ao parto e houve até quem não quisesse registar o nascimento do príncipe porque não tinha visto!
O nome “Carlos” foi dado em honra do seu avô materno Carlos Alberto de Sabóia.
O baptismo de D. Carlos ocorreu 15 dias depois do nascimento na Igreja de São Domingos e foi realizado como uma cerimónia de estado após a qual houve um almoço no Palácio para 150 pessoas.
Para padrinhos de D. Carlos foram convidados:
Princesa Clotilde Bonaparte (irmã de D. Maria Pia)
Rei D. Fernando II
Muitos dos filhos de D. Maria II morreram de Tifo, tal como D. Pedro V.
As famílias reais europeias formavam uma grande família única porque eram todos parentes, muitas vezes primos bastante próximos!
Com D. Maria Pia e D. Luís, a privacidade é preservada ao máximo, especialmente no Palácio e foi por isso que D. Maria Pia não permitiu que os seus partos fossem públicos, ao contrário do que era comum na altura.
Quando D. Fernando II casou com Elise Friedericke Hensler (Condessa d’Edla), afastou-se da família até porque D. Maria Pia não a suportava.
Em 1865 nasceu o Infante D. Afonso e os dois príncipes foram educados a par. D. Afonso era muito traquina e era D. Carlos que o corrigia e ao qual tinha muito respeito (tratava-o por «mano Carlos»).
D. Carlos era um “menino-redoma”.
D. Maria Pia fotografava os seus filhos mensalmente e, no verso da fotografia, escrevia a data, a altura, o peso e colava uma mecha de cabelo.
O Palácio estava localizado numa área que era considerada campo e os infantes só iam à cidade (onde o ar era sujo e contaminado) para espectáculos.
Os palácios de Verão eram: Sintra, Queluz, Mafra e quando se mudavam do palácio da Ajuda para um destes palácios, a D. Maria Pia levava tudo com ela, inclusivamente os pianos!
No palácio foram criadas salas de brincar e de estudos para os infantes mas eles brincavam por toda a casa e também aqui costumavam andar de patins, como em Mafra.
Da corte real faziam parte:
Camareiras: acompanhavam a rainha e tinham também função de secretárias (vida muito agitada!!!)
Particulares: acompanhavam o rei e serviam de secretários
D. Maria Teresa de Assis Mascarenhas, preceptora de D. Carlos, ensinou-o a ler português e francês com três anos
Em 1870, D. Carlos, inicia a sua vida escolar
Os Jardins de Inverno foram uma moda trazida de França. Também era aqui que se faziam as festas de Natal e Carnaval
O Gabinete de Carvalho foi criado como sala de fumo ritual ao qual estavam associados um traje e chapéus próprios, se bem que D. Luís fumava pelo palácio porque a rainha estava habituada ao fumo e também ela fumava.
Os príncipes estavam proibidos de assistir às cerimónias de gala reais mas não resistiam a espreitar pelas frinchas das portas, tal como descreve Thomaz de Mello Breyner.
Em 1874 iniciam os estudos secundários e sempre com uma educação liberal
Magalhães Coutinho, médico da família e amigo do rei, tinha o seu próprio quarto no palácio.
Entre outras coisas os infantes estudavam:
Português, latim, grego, francês, alemão, italiano, história, geografia, pintura, ginástica e ciências.
Os professores tinham indicações para ensinar e repreender os príncipes como qualquer um dos seus pupilos e estavam dispensados de lhes beijar a mão.
Enrique Casanova, aguarelista, foi professor de pintura de D. Carlos
Os estudos eram de 7 anos de curso durante 6 dias por semana (de segunda-feira a sábado) das 09:00 às 18:00 e aos domingos tinham religião e moral
Em 1884, devido aos caracteres divergentes dos príncipes, a sua educação é separada e D. Afonso acaba por seguir a carreira militar.
As avaliações eram periódicas e a D. Maria Pia vigiava cuidadosamente os cadernos e lições dos infantes.
Após a separação dos dois irmãos, D. Carlos começa a estudar disciplinas mais governativas (uma vez que estava a preparar-se para rei), tais como:
Filosofia, direito constitucional, relações internacionais, história das organizações, …
Em 1883, como de costume em todas as famílias nobres e burguesas, D. Carlos iniciou o seu Grand Tour (viagem de instrução) que durou mais de 6 meses (desde 02 de Junho a 21 de Dezembro) e foi acompanhado por António Augusto de Aguiar
Na Sala do despacho também se faziam algumas festas de aniversário e Carnaval (tapeçarias d’Aubusson)
A 11 de Fevereiro de 1864 D. Carlos é reconhecido como herdeiro de D. Luís à coroa portuguesa.
Entretanto, foi regente de Portugal por três vezes: 1883, 1886, 1889 e, a partir de então, começa a ganhar a sua autonomia, a querer inteirar-se dos assuntos de estado e a ganhar uma certa “aversão” a Fontes Pereira de Melo
Em 1884/85, era um jovem bonito, elegante, bem apresentado e muito distinto.
Três dias depois de conhecer D. Amélia, com quem viria a casar em 1886, escreveu a seu pai dizendo-lhe que nunca à face da terra havia visto mulher mais bonita, e extremamente apaixonado.

Um dia na vida de D. Luís

Filed under: Visitas Temáticas na Ajuda — Sara Sardinha @ 11:36 am

1862-1889 – Período em que D. Luís viveu no palácio

Quarto do rei
O quarto estava dividido por tabiques.
Arq. Possidónio da Silva ajudou a decorar o palácio com conforto e comodidade.
Quarto à direita, escritório à esquerda, casa de banho ao fundo (tudo na mesma divisão), water closet. O tecto estava pintado por uma lona pintada.

Educação requintada e avançada para a época. Foi rei aos 23 anos por morte de D. Pedro V. Seguiu a carreira de oficial da marinha.

Existiam 70 criados fixos, hierarquizados, pessoal de serviço que vinha várias vezes por semana, nobres (casa civil do rei). Passavam normalmente 1 semana no palácio, noviços da Real câmara.
1889 – D. Maria Pia pediu a Casanova aguarelas dos paços reais para dar a D. luís (que morreu antes de as receber).

A Cama original de D. luís está noutro quarto que não o seu (piso nobre) – Neo renascentista em carvalho do norte.

O rei era bastante caseiro e simples. Tinha diversas ocupações. Só se vestia para o pequeno-almoço, ou fardava-se de marinheiro.
Preferia tocar violoncelo. Em finais da década de 70 já tinha publicado uma tradução de Hamlet. Gostava de numismática, pintura, música … era poliglota, ia muito ao teatro.
Publicou sob pseudónimo e doou o dinheiro a obras de caridade.

Sala de despacho – sala de recepção oficial. O rei fazia o despacho às quintas-feiras, reuniões de concelho de estado.
Fotografia pintada por Augusto Bobone.
Busto de D. Pedro feito por Calmels (post-mortem).
Sempre foi um pai muito presente.

Sala da música – séc. XIX – ascensão da burguesia.
Um palácio é onde se modela a consciência social. Onde foi mostrado o 1º microscópio. O rei gostava muito de comer nos seus aposentos. D. Luís tinha um papagaio de Angola que só não mordia o rei e o moço que o alimentava.

Sala azul
Sala de estar da família real. Foi aqui experimentado o telefone.
Era caricaturista e aguarelista. Existe nesta sala um livro de caricaturas do rei.
D. Pedro morreu de Tifo no palácio das Necessidades.
Cachimbo em âmbar e espuma do mar.

Gabinete de carvalho
Sala de fumo. Sala mais masculina.

Jardim de Inverno – sala de mármore
Mandada decorar para D. Maria Pia na década de 80 “embalada” pelo futuro casamento de D. Carlos com D. Amélia. Alabastro a decorar desde a década de 60.
Havia um passadiço a fazer a ligação com o jardim da Ajuda.
D. Luís também pintava cerâmica (feito na fabrica de Sacavém)
1º elevador.

Sala de jantar da rainha
Séc. XIX – surgimento das salas de jantar.
Casa de jantar da mesa de estado.

Sala de bilhar
Portas de correr
9:00 – Almoço (mais ou menos o pequeno almoço continental) nos aposentos
Jantar (mais ou menos almoço)
19:00 – Ceia
22:00 – Toast

Sala chinesa
Refeições dos príncipes
D. Luís mudou os seus aposentos para o piso nobre um ano antes da sua morte porque o piso térreo era insalubre.
Ultimo quarto de D. Luís (cama original do rei, serviço de toucador exclusivo de d. luís porque só tem o monograma do rei coroado pelas armas reais)

Casa de banho com água quente, fria, canalizações e esgotos

Farda da marinha
Moda masculina – estilo inglês
Moda feminina – estilo francês
Bengalas – apetrecho, as de usar em casa eram diferentes de as de usar na rua.

Atelier do rei – tinha uma clarabóia no tecto.
Máquina fotográfica (em placas de vidro)
Daguerreótipo (em papel)
Megaletoscópio – dava cor às fotografias
Foto de D. Luís – que serviu para cartaz de visita e que ele ofereceu à rainha. O fotógrafo pintou um retrato para oferecer em comemoração do nascimento de D. Carlos.
Retrato D. Carlos pintado por D. luís.
Morreu em Cascais onde podia ver a sua corveta favorita “Bartolomeu dias”
Retrato em pintura do rei em traje comum, o que não era normal, porque costumava ser pintado em traje de gala.

D. Luís após a morte do seu irmão D. Pedro V, foi viver para o Paço de Arcos em Oeiras, só mais tarde foi viver para o palácio nacional da Ajuda.

D. Maria II + D. Fernando = D. Luís
Vítor Emanuel II – 1º rei de Itália = D. Maria Pia casou com 15 anos

A decoração e o espaço dos aposentos da família real, marcam bem a diferença de personalidade do casal.

D. Luís = simples, decorado ao estilo de um marinheiro.

D. Maria Pia = grandes aposentos. Era mais exigente.

Uma novidade para a época é que D. Maria Pia comprava por catálogo.
D. Luís – amante das artes, tolerante, respeitava as várias correntes políticas. O seu reinado foi marcado pela paz, estabilidade e progresso.

A sala de jantar da rainha (a ultima das obras no palácio), que ficou pronta pouco tempo depois da morte do rei em 1889.

D. Maria Pia residiu no palácio até 1910, quando vai para o exílio. Reabre em 1938 como museu. Tem um único espólio de artes decorativas do séc. XV ao séc. XX. É ainda hoje utilizado pelo estado português para cerimónias oficiais.

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