Dra. Isabel Silveira Godinho (Directora do PNA)
O Palácio Nacional da Ajuda é palco de cerimónias de estado e banquetes.
1988 foi criado o primeiro itinerário do Palácio da Ajuda
A Sala das Senhoras do Corpo Diplomático era, anteriormente chamada de Sala dos Gobelins por aí se encontrarem três tapeçarias de Gobelin que faziam parte de um conjunto de quatro tapeçarias representando “Os costumes turcos”.
1996 – início do projecto “Uma sala, um mecenas”, pela Mobil, aquando do primeiro centenário da empresa. Foi restaurada a sala do retrato da Rainha (Rainha D. Maria Pia de Sabóia).
Nesta sala, nas paredes laterais, encontram-se pinturas dos palácios de Hohenzollern e de Sigmaringen, os palácios favoritos da rainha.
Há ainda, na sala do retrato da rainha, um conjunto de cadeiras e canapés (mobiliário de assento), chamado Mobília da Nau, que teria sido transportada na Nau de D. João VI e ter sido a única a regressar do Brasil, no topo das costas de cada cadeira, há pinturas, provavelmente de Pillement, representando vários portos europeus. No entanto, não se vêem características de mobiliário de nau, como estruturas para o prender ao chão.
A seda das paredes tem sempre 52 cm de largura e, olhando com atenção para as paredes, pode ver-se o ritmo das costuras.
A partir do restauro desta primeira sala, qual foi o critério para o restauro das salas seguintes?
Manter-se fiel ao período de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia, que foi o período de maior vivência do Palácio.
1802 – Início da construção do Palácio da Ajuda
D. João VI dava instruções do Brasil para a construção do Palácio da Ajuda
1881 – D. Luís I mudou-se para o Palácio
1882 – Casou-se com D. Maria Pia de Sabóia e começaram as obras de decoração
1968 – Reabertura do Palácio ao público
Restauro:
Fundação do Millenium BCP
Sala onde as Mulheres dos Diplomatas esperavam para serem recebidas na sala do trono
Todas as janelas do Palácio estão protegidas com uma película anti-UV
Uma das maiores dificuldades foi tentar fazer as sedas das paredes.
Todos os têxteis vêm de uma fábrica de Lyon
Materiais: seda; 400m de madeira de casquinha dourada para os remates; folhagem a ouro; reposteiros em veludo (cor beringela) como os originais e passamanaria manufacturada em Portugal.
Tapeçarias totalmente restauradas em Lisboa. Só foram expostas três como durante a monarquia. A quarta está guardada.
Cada tapeçaria representa cerca de seis meses de trabalho!
Retratos de D. Pedro V e de D. Estefânia que também foram lavadas e restauradas.
Há duas épocas de mobiliário de assento:
- Do século XVIII – Forrado com Gobelins representando cenas das fábulas de La Fontaine
- Do século XIX – Forrado com motivos florais
Tapete do chão é um tapete d’Aubusson que foi lavado e recuperado.
O restauro de uma sala faz-se sempre de cima para baixo!
A obra artística tem duas vertentes: a plástica e a ideológica
As pinturas do tecto foram fixadas com uma cola 100% natural
Tecto reparado com a técnica de Regatino[i]. Esta técnica confere vibração e movimento à pintura.
É uma técnica de repinto usada também nos primitivos italianos.
Em 1828, D. Miguel regressa do exílio no Brasil e, por isso, estão representados no tecto uma medalha com a efígie de D. Miguel, a Virtude Invencível, o Amor à Pátria e um génio com um livro aberto onde está um louvor em latim ao golpe de D. Miguel entre 27 de Maio a 3 de Junho de 1823 (a Vila-Francada).
Por todo o palácio tentaram esconder-se os vestígios da estadia de D. Miguel mas ainda se podem ver alguns!
26 de Março de 1985 – inauguração da sala do trono aquando da visita da rainha de Inglaterra.
O conjunto das quatro tapeçarias dos “Costumes Turcos” é único na Europa.
Parquet – Para limpar o parquet, faz-se uma quadrícula, como a das escavações arqueológicas e depois limpa-se com palha d’aço muito fininha e, como se tinha colocado muita cera em anos anteriores para encerar o chão, tiveram que ficar dois anos sem encerar para que a cera absorvida pela madeira fosse libertada.
Lustre – O lustre é todo desmontado e cada fila é desenhada para depois ser mais fácil de montar. O lustre da sala das Senhoras do Corpo Diplomático, depois de desmontado, ocupava ¼ da sala.
Janelas viradas a sul (para o rio Tejo)
Iluminação museológica, as luzes só acendem quando entramos na sala
[i] Regatino ou ponteado: Técnica italiana, de efeito moderado empregado em diversos tipos de restauração de capas pictóricas. Trata-se de zonas produzidas com pontos justapostos, de tal modo, que formam um conjunto que pode ser perfeitamente localizado quando vistos de perto, ficando invisivel a distancias de leitura do quadro. às vezes foi usada a palavra “pontilismo” para referir-se a esta técnica, em virtude da sua semelhança com o efeito produzido pela modalidade de arte que emprega pequenos pontos para realizar una figuração.